Conversando com Ray, no início da semana, prometi dar um tempo pra mim, pra pensar em minha vida e escrever, como há muito tempo não faço. Empurrei esse "tempo" com a barriga, como tenho feito com tantas outras coisas que merecem certa prioridade até que cheguei à véspera das 2:20 do dia 23.
Tentei escrever hoje de tarde no ônibus, mas não consegui. Deu sono. Tentei, pelo menos, ficar refletindo, meditando. Dormi. Fui pra aula no cursinho, incrivelmente, senti sono na aula de química, que é uma das minhas preferidas de lá, mas não tive tempo pra dormir. Enfim, dia normal de aula, excetuando o fato de ter tido a primeira aula de Bira que assisti até o final. E foi boa. Voltei para a casa de minha vó sozinha, andando e piscando. Vi uns mendigos e não cheguei a ter medo deles, mas cheguei a imaginar que um cara que tava atravessando a João Durval pudesse ser o meu potencial assaltante. Não foi. Pronto, chega de narrar o dia. Comecei a pensar em escrever, em como iria escrever e onde publicaria. Pensei no orkut, afinal, lá as pessoas leriam. Aqui, seria mais um texto esquecido - embora eu não me preocupe tanto com isso. O fato é que pensei que nem todo mundo pracisaria "entrar tanto na minha semana", então pesquisei meu blog no google, já que eu não lembava o endereço e aqui estou. Agora, começo:
Dormi em Serrinha ontem (para os desavisados, estou morando em Feira). Não só por estar morando aqui, olhei bem para as ruas de minha cidade e pensei no quanto amo aquele lugar. Não é lá dos melhores lugares do mundo - não mesmo!- mas é meu lugar. Pensar em voltar para Feira de Santana e passar o meu dia 23 aqui não foi nada agradável. Mal acordei e já estava com saudade de minha cama. Sei que nessa agonia de não querer voltar, fiquei triste e meio atordoada. Talvez por isso (e algumas outras coisinhas), provoquei um desastrezinho que eu nem deveria citar para não dar brechas aos críticos de plantão: quando fui tirar o carro da garagem, encostei a parte da frente que não sei o nome em um ferrinho amarelo que tem lá na calçada e desci com tudo. Não arranquei o parachoque, mas ele ficou meio soltinho no lado direito. Foi terrível!!! Ouvi a zuada que fez, mas deixei pra olhar o estrago só quando eu chegasse na casa da costureira. Quando cheguei e vi, me deu aquela fraquezinha que dá quando a gente se dá conta de que fez uma merda*, e uma vontade indizível de voltar no tempo, ir um pouco mais pra frente e acertar o carro mais pra esquerda, antes de descer. Me deu também um medo danado de contar pro meu pai, seguido da vontade de omitir (ou mentir), fingir que não foi comigo, ou dizer que bateram em mim.
Juntou tudo: a angústia por conta do ocorrido com o carro com a tristeza de ter que voltar pra Feira e aceitar passar o fim de semana aqui (já estou em Feira). Almocei bem, apesar de estar bem tensa, e quando meus pais (vovô e tia Juli) foram me levar na rodoviária, meu pai viu os vestígios do "micro-desastre" (preciso muito amenizar o fato!) e perguntou "quem fez isso?". Eu levantei o dedinho indicador... ceninha triste, viu? Graças a Deus ele estava no celular, conversando com minha avó, nem se alterou tanto. Chorei dentro do carro, a consciência doeu. A saudade doeu, e só depois eu fiquei aliviada por ter visto que eu sou aquilo mesmo.
Lembrei de quando eu era criança, aprendi que não se deve mentir, nem devo me desfazer de uma culpa que realmente é minha. Lembrei também que eu não seria perdoada se eu ficasse escondendo o acontecido, e sem ser perdoada por meu pai, eu não me perdoaria... enfim, eu ia guardar aquilo e ficar me corroendo?
Sabe, pode parecer que eu enriqueci demais o acontecido, mas como eu já disse, eu sou isso mesmo. Eu "agiganto" certas coisas, porque pra mim elas são importantes.
No desfecho do caso, fiquei feliz por ver que eu ainda sou a mesma. Não 100% a mesma, isso soaria como um tom de satisfação completa, o que não é verdade e está longe de ser. Trata-se de uma alegria de manter o que é essencial, o que também não me traz orgulho, já que não sinto mérito nisso. Acho que é natural.
Agora mesmo, estou aqui escrevendo por ter me prometido isso. E ainda que não seja um horário propício pra quem tem aula às 7:15, e mesmo que eu saiba que não vai ficar tão legal, estou cumprindo. É isso que quero: ser fiel comigo mesma. Ser fiel com o que acredito.
Daqui a exatamente 52 minutos, às 2:20 deixo de ter meus 18 anos. Acho que roí unhas a vida toda esperando pelos 18. Sei lá, a ideia da maioridade sempre me encantou, o número, em si, me encanta... besteira minha! Esse apego me faz olhar com carinho pros meus 18 e, como eu imaginava, não fui feliz como na infância e na adolescência. Acho que essas fases nos proporcionam felicidades irrecuperáveis. Mas, talvez eu nunca tenha aprendido tanto sobre mim (pelo menos nos últimos anos), como aprendi em meus 18. Nunca senti ser tão dona do meu nariz e ao mesmo tempo tão dependente. Na verdade, descobri TANTO sobre independência que ela ficou até menos bonitinha...
Agradeço a Deus, por tudo e todos. Principalmente pelas surpresas.
E só pra não ter que dar tchau completamente, oi, 18 + 1!